Se você chegou até aqui é porque já ouviu falar de OTServer, mas ainda não sabe muito bem por onde começar. Calma, é mais simples do que parece — e esse guia é justamente pra te mostrar o caminho completo, do download da engine até o primeiro login, sem enrolação.
OTServer é o nome dado aos servidores privados de Tibia feitos pela comunidade, usando engines open source (como o TFS ou o Canary) que recriam o jogo original em C++. Isso significa que você pode montar o seu próprio mundo, com suas próprias regras, mapas, scripts e sistemas — e tudo isso rodando numa engine que qualquer pessoa pode baixar e compilar gratuitamente.
Hoje em dia as opções mais usadas são o TFS (The Forgotten Server), mais leve, estável e com a maior comunidade de suporte, e o Canary, mais moderno, com arquitetura mais recente mas ainda em evolução constante. Pra quem está começando, o TFS 1.x costuma ser o ponto de partida mais tranquilo — tem mais tutoriais, mais scripts prontos e mais gente pra ajudar quando algo dá errado.
Depois de baixar os arquivos da engine (geralmente via Git, direto do repositório oficial), você vai encontrar um arquivo central de configuração, normalmente chamado config.lua. É nele que ficam definidas as informações básicas do servidor:
ip = "127.0.0.1"
loginProtocolPort = 7171
gameProtocolPort = 7172
statusProtocolPort = 7171
mysqlHost = "127.0.0.1"
mysqlUser = "otserver"
mysqlPass = "sua_senha_aqui"
mysqlDatabase = "otserver_db"
mysqlPort = 3306
Esses valores conectam a engine ao banco de dados e definem em quais portas o servidor vai aceitar conexões dos clientes.
Antes de subir o servidor pela primeira vez, você precisa criar o banco de dados e importar o schema (a estrutura de tabelas que a engine espera encontrar). No MySQL, isso costuma ser feito assim:
CREATE DATABASE otserver_db CHARACTER SET utf8mb4;
CREATE USER 'otserver'@'localhost' IDENTIFIED BY 'sua_senha_aqui';
GRANT ALL PRIVILEGES ON otserver_db.* TO 'otserver'@'localhost';
FLUSH PRIVILEGES;
Depois, basta importar o arquivo schema.sql que vem junto com a engine. É aqui que a maioria trava na primeira tentativa — erro de permissão, charset errado, caminho de arquivo incorreto. Mas uma vez entendido o processo, você nunca mais esquece.
O client é o que o jogador vai abrir pra se conectar no seu servidor. Em clients como o OTClientV8, você edita o arquivo de configuração do servidor (ou usa a tela de "Editar servidor") apontando o IP e as portas configuradas no passo 2. Se o servidor estiver rodando numa VPS, use o IP público dela; se estiver na sua própria máquina pra testes, 127.0.0.1 já resolve.
Antes de convidar qualquer pessoa, suba o servidor na sua própria máquina e entre com o client. Faça esse checklist básico:
É nessa etapa que você vai pegar os primeiros erros de configuração — e é bem melhor encontrá-los agora do que com jogadores reais online.
Pra sair do modo "só eu jogo" pro modo "servidor público", você vai precisar de uma VPS com IP público (veja o artigo linkado acima), liberar as portas corretas no firewall, e — se quiser um endereço bonito em vez de um IP puro — registrar um domínio e apontar pra sua VPS.
Dica: anote cada erro que aparecer no console do servidor. Praticamente todo problema de configuração de OTServer já foi resolvido por alguém na comunidade — é só saber pesquisar a mensagem certa.
A partir daqui é questão de ir destravando uma etapa de cada vez: scripts, mapas, sistemas de loja, e por aí vai. Se quiser pular as partes mais chatas de tentativa e erro, os nossos cursos cobrem esse processo completo, do zero ao avançado.